12 Março, 2009

Versão 1 do roteiro está concluída

A primeira versão do Gana e Glamour está concluída.
Daqui para frente o roteiro será revisado, passará por alterações e mudanças. Pode mudar completamente. Algumas pessoas estão lendo, eu estou revisando sozinho.

Vamos ver o que acontece daqui para frente.

19 Fevereiro, 2009

Estamos em movimento

Quando a água do rio aparentemente está parada, flui abaixo de sua superfície um verdadeiro turbilhão de correntezas.

Enfim, rss to sendo poético.

A gente está aparentemente parado, mas não é verdade, o tempo em que passei em silêncio foi o tempo de incubação de idéias. Elas estiveram quietas, adubadas, buscando caminho para crescer e agora explodem.

O roteiro começou a caminhar novamente, com muita força, a história está tomando um novo rumo inesperado. A sensação, quando me ponho a escrever, é que sou um mero observador e relator dos fatos. Eu observo os personagens agindo naquela situação e descrevo tudo. Por isso escrever é um ofício tão bom, muito melhor do que assistir cinema, quase tão bom quanto viver.

A história caminha, mas ainda não está pronta. Quando tudo estiver resolvido, o roteiro ainda passará pelas críticas e pelo crivo da revisão. Estamos chegando lá.

03 Fevereiro, 2009

Morre na frança a pianista brasileira Stella Schic

Fonte: France Presse, em Paris

Era chique até no nome.

A pianista brasileira Anna Stella Schic --que gravou toda a obra de Heitor Villa Lobos-- morreu na madrugada deste domingo em Nice, no sudeste da França, aos 83 anos, anunciou sua filha, Sandra Lechartre


Nascida em Campinas, a pianista deu seu primeiro recital aos seis anos de idade. Estudou no Brasil com José Kliass, aluno de Martin Kraus, um dos mais famosos discípulos de Liszt, e trabalhou em seguida com a pianista francesa Marguerite Long em Paris.

Ela era casada com o compositor francês Michel Philippot, morto em 1996. Segundo sua filha, Anna Stella Schic parou de tocar piano quando seu marido morreu

14 Janeiro, 2009

O filme O Anjo exterminador, de Buñuel, tem quase tudo a ver com "Gana e Glamour".
Eu encomendei o filme e será bom que todos assistamos juntos quando a produção estiver encaminhada. Colei abaixo a crítica que tirei do blog Caralhissimo.wordpress.com:


12 Janeiro, 2009

Susana Vieira casou-se com um Ogun parecido com o Jarbas

Interessante a coicidente semelhança que existe entre o falecido ex-marido de Susana Vieira e o personagem principal de nosso filme, o Jarbas.
A atriz, uma das mais bem pagas do Brasil, conta como seu ex-marido Marcelo Silva, que morreu de overdose, a traiu, roubou e até a filmou nua para chantagear.




A atriz Susana Vieira, de 66 anos, casou-se três vezes e teve muitos relacionamentos. Nenhum deles foi tão traumático e expôs tanto sua intimidade quanto o último, com o ex-policial militar Marcelo Silva, que, aos 38 anos, sucumbiu a uma overdose de cocaína em dezembro passado. Bonita, sorridente e com 5 quilos a menos, Susana relata as cenas repugnantes a que foi submetida nos capítulos finais do seu casamento. A atriz conta que o ex-PM lhe surrupiou joias, dinheiro, eletrodomésticos e pretendia chantageá-la. Refeita de golpes na vida real que nem os mais criativos autores de novela foram capazes de imaginar, Susana diz que já conseguiu superar o escândalo e está pronta para amar de novo.


Seu marido, Marcelo Silva, foi preso e expulso da Polícia Militar do Rio por se drogar e espancar uma prostituta em um motel. Depois, a senhora descobriu que ele mantinha uma amante. Em seguida, Marcelo morreu de overdose ao lado dela. Qual foi o pior desses momentos?
Nunca vivi nada comparável ao primeiro grande baque, que foi o episódio do motel. Mas também nada se compara à nossa separação e à morte dele. Nem (a autora de novelas) Glória Perez seria capaz de escrever uma história como essa. Depois do escândalo do motel, perdoei o Marcelo porque jamais imaginei que ele aprontaria de novo. Mas nem o Marcelo nem aquela amante dele (a nutricionista Fernanda Cunha) eram inocentes. Só peço que não escreva o nome dessa mulher junto do de Susana Vieira, que é a vítima.

Muita gente apostou que o seu casamento terminaria depois do episódio do motel.
Eu chorava de saudade do Marcelo. Era uma mulher apaixonada. Ele era sedutor, me amava e a gente transava bem. Aliás, só soube agora que pessoas com deformidade da mente, como ele, transam muitíssimo bem. Não me nego ao amor e estou cheia dessa história de que mulher de 60 anos tem de namorar homem de 70. Sou uma estrela. Não estou nem aí para preconceitos.

As traições de Marcelo têm relação com o fato de que ele tinha quase trinta anos menos que a senhora?
Só diz isso quem se sente no direito de me julgar. Apareceram até uns psicanalistas para falar do caso da Susana Vieira, a sessentona que se casou com um jovem de 35 anos. Eles diziam que eu estava com um garoto. Por favor, quem tem 35 anos não é jovem nem garoto. Jovem é o Cauã Reymond (de 28 anos). Mais velho do que ele já é senhor. Sei o que estou dizendo. Antes de casar com o Marcelo, passei dezessete anos com o Carson Gardeazabal. Quando nós começamos, ele tinha 24 anos e eu, 43. E quer saber? Sou mais jovem em curiosidade, energia e disposição do que o Marcelo e o Carson juntos. Não fico procurando garotão em porta de universidade, mas não tenho culpa se sou desejada por jovens.

Por que a senhora resolveu se casar com Marcelo em vez de apenas namorar com ele?
Foi Marcelo quem quis casar. Pensei: por que não? Por que não me casar de noiva? Não é pecado nem crime. Eu estava apaixonada e não devia nada a ninguém. O problema era que ele tinha 35 anos e era policial militar. Aliás, o preconceito por ele ser PM era pior do que o da diferença de idade. Dias antes do casamento, soube que ele era dependente químico. Lidar com isso, com um adicto, foi uma novidade a mais para mim. Eu acreditei na reabilitação dele.

A senhora já superou a traição, a separação e a morte de Marcelo?
Foi difícil. Não chorei nem gritei, mas entrei em estado de choque. Fui parar no consultório da psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva (autora do livro Mentes Perigosas: o Psicopata Mora ao Lado). Precisei de quatro sessões para me recuperar das revelações que a amante dele me fez ao telefone. O stress a que ela me submeteu equivale ao de um sequestro. Perto dessa mulher, a Flora (vilã de A Favorita) é boazinha. As coisas que ouvi dela eram de uma crueldade que nenhuma novela jamais mostrou. Falou até das posições preferidas na cama – tanto as deles quanto as nossas.

A senhora trouxe a mãe de Marcelo, Regina, do subúrbio para a Barra da Tijuca. O que será dela agora?
Minha querida, ela herdou do filho uma conta bancária muito boa, fruto dos desvios de dinheiro da reforma da minha casa. Levou um Polo, que passei para o nome do Marcelo porque ele recebeu mais de 20 000 reais em multas. Além disso, a mãe dele ficou com seis malas de roupas masculinas, 47 pares de tênis e relógios. Tudo de grife. Marcelo roubou minha alma, meu sentimento e muito mais. Pedia que colocassem 2 000 reais a mais em notas de material de construção para embolsar a diferença.


"Marcelo se escondeu atrás da porta do banheiro para me filmar tomando banho de touca na cabeça. Fazia close das minhas partes íntimas enquanto eu me lavava"

Marcelo a roubou?
Tirou joias, perfume importado e até um aparelho de micro-ondas que ainda estava na caixa. Marcelo pôs a culpa no caseiro. Depois, eu soube pela amante dele que o Marcelo levou o micro-ondas para esquentar comida no flat dela. Quando as joias sumiam, ele também culpava os empregados. Eu não acreditava. Achava que tinha perdido. Ele as tinha dado de presente a ela. A mulher ficou até com meu BlackBerry. Ela me contou que ia escondida aos restaurantes, ensaios de escolas de samba e outros lugares em que estávamos juntos. Eles se encontravam nos banheiros. Transaram na minha casa em Búzios enquanto eu estava na praia. E foi na minha cama.

O que mais a amante de Marcelo lhe contou?
Que ele desviou dinheiro da obra da minha casa. Era para custar
110 000 reais. Saiu pelo dobro. Se ele me dizia que um tijolo custava 12 reais, não checava. Ela sabia de tudo, até de quanto faltava para pagar o telhado. Só soube desses absurdos depois que o Marcelo morreu. Os empregados não diziam nada porque ele os ameaçava. Dizia assim: "Antes de falar alguma coisa para a Susana, lembra que sou polícia. Você some". Sabia que ele pediu à revendedora da Honda que emitisse uma nota superfaturada? Fez a mesma coisa na Volkswagen quando comprei o Polo. Felizmente, ninguém aceitou. Aquela mulher me contou que o Marcelo fez até um filme das nossas transas. Mas eu nunca achei a gravação. Se for verdade, espero que nunca apareça. Mas achei outra, a do chuveiro, no dia em que meu cofre foi arrombado.

Que filme é esse? Quem arrombou seu cofre?
Marcelo. Ele se escondeu atrás da porta do banheiro para me filmar tomando banho de touca na cabeça. Ainda por cima, fazia close das minhas partes íntimas enquanto eu me lavava. Ele ia usar o filme para me chantagear. Isso eu soube pelo pessoal da praia. O cara de uma barraca contou para minha sobrinha que o Marcelo ia cobrar 500 000 reais para me dar a gravação. Achei esse filme quando meu cofre foi arrombado.

Como foi isso?
Um dia depois que a amante dele me telefonou, encontrei meu quarto revirado com o cofre aberto. Nunca dei o segredo ao Marcelo, mas, do mesmo jeito que me filmou escondido, ele me viu abrindo o cofre e decorou o número. Sumiram meus dólares, euros, reais e as joias. Resolvi esconder a moto antes que o Marcelo a levasse também. Aí, descobri no bolso da jaqueta de couro dele o filme do banho e um documento importantíssimo.

Que documento?
O nosso contrato de casamento, que diz que ele não teria nenhum direito a meus bens em caso de separação. O documento estava no cofre. Meu filho, Rodrigo, disse ao Marcelo que ele havia assaltado meu cofre. Ele respondeu: "Não fui eu. Eu estava dormindo". Ou seja, ele sabia que o cofre tinha sido arrombado. Liguei para a Globo para contar do filme. Fui à Justiça pedir a separação de corpos. Falei que corria risco de vida. Os meus empregados contaram à juíza que eram ameaçados. Aí descobri que sabiam dos desvios de dinheiro. Voltei para casa com seguranças e coloquei o Marcelo para fora. Ele disse que prejudicaria a minha carreira. Era uma referência ao filme do banheiro, que, àquela altura, estava seguro dentro do meu sutiã.

O que a deixou mais magoada: ser traída em público ou guardar segredo sobre os roubos?
O pior foi a traição espiritual e calculada dele. Se ninguém me contasse, eu podia estar me enganando até agora.



"Emagreci 5 quilos de nojo do que Marcelo e a amante fizeram. Só tive pena quando vi pela televisão o corpo dele no chão. Fora isso, só tive raiva, raiva e raiva"

Como, aos 66 anos, a senhora foi tão ingênua?
Ingênua e generosa. Ainda bem. O mundo não é feito de gente má, ladrões e assassinos? Sou boa. O nosso problema não era a diferença de idade, de nível social nem de formação. Quantas pessoas vieram do nada, viraram famosas e não roubaram? O desnível cultural pode ser suprido por outras qualidades. Namorei o jornalista Renato Machado (da Rede Globo) e casei com Carson, que fazia motocross. Não falava só de vinho e ostras com Renato e nem só de moto com Carson. O Marcelo me beijava muito. Imagina se eu não gostava? Eu, que sempre gostei de sexo, amor e carinho? Se ele me completava nesse departamento, não precisava falar de museu.

A senhora se dizia muito feliz. Essas descobertas apagaram as boas lembranças?
Posso ser ingênua, mas não sou burra. Uma traição de sete meses é uma covardia com uma pessoa famosa. Fui obrigada a ler um artigo de uma revista que me chamava de ridícula. Dizia que eu devia arrumar garotos apenas para transar, e não me casar com eles. Estou cheia de ouvir que velha tem de arrumar garotão só para transar. O que é isso? Se o cara trai, é ele o errado, não nós. Aliás, idade não existe para mim. Em primeiro lugar, sou uma estrela brasileira, como a Fernanda Montenegro e o Pelé. Não se pergunta em que ponto nós três deixamos de ser estrelas por causa da idade. Não somos sessentões, somos estrelas: Marília Gabriela, Elba Ramalho, todo mundo que chegou lá... Em segundo lugar, minha vida não é pautada por encontrar homem. Sempre gostarei de alguém, sempre beijarei e transarei. A gente tem o direito de amar quem quiser. Quem é que não gosta de homem bonito? Homem velho tem ex-mulher que vai encher a paciência e filho que vai chatear. Envelhecer deve ser horrível, mas, como não envelheço, estou ótima.

Podemos concluir que a senhora poderá aparecer em breve de namorado novo?
Podem, sim. Mas não agora. Acabei de sair de um redemoinho. Mesmo assim, já rolou paquera. Estou viva e aberta para tudo, mas ninguém nunca mais toca no meu dinheiro.

Seus colegas a classificam como competitiva e temperamental. Como eles reagiram ao seu drama?
Da melhor forma possível. A ligação mais importante que recebi e que me fez chorar foi a da (atriz) Renata Sorrah, justamente alguém que a imprensa diz ser minha desafeta. Nunca tivemos um ai. Sempre contracenamos, ela como má e eu como boa. Mas Renata estava tão sentida quanto eu. Não crio caso com ninguém. Estou na elite porque sou excelente profissional. Acha que eu seria tão respeitada na Globo se eu fosse esse mau elemento que pintam? Agora, quando contraceno com ator relapso e medíocre, chamo sua atenção, sim, e digo que lugar de estudar texto é em casa. A Carolina Dieckmann trabalha como eu. Aliás, o meu melhor trabalho foi com ela e a Renata Sorrah em Senhora do Destino.

O casamento com Marcelo será um trauma que atrapalhará seus relacionamentos futuros?
Deus me livre de trauma, filhinha. Não tenho trauma nem de pai, nem de mãe, muito menos de ex-marido, ex-bandido. Só quero esquecer que conheci Marcelo Silva. Enquanto o Marcelo estava vivo, fiquei trancada em casa com medo do que ele pudesse fazer comigo. A partir do momento em que, infelizmente, morreu, estou livre. Já sofri. Emagreci 5 quilos de nojo do que ele e a amante fizeram. Só tive pena uma vez: quando vi pela televisão o corpo dele no chão da garagem. Fora isso, só tive raiva, raiva e raiva.

24 Dezembro, 2008

Trechos de diálogos



ADAÍLTON:
Fêmea felaciosa esganou meu membro desossado sugando sua energia vital através da traqueia, saboreou nas estranhas o semen, com o prazer de quem tem o poder entre a vida e a morte, milhares de pequenos bebês desperdiçados em uma golfada gultural.


***


JARBAS:
Certa vez matei um maçom, e de seu sangue fiz o molho pardo que temperou meu almoço.


***


ARMANDO:
Deus salve os estados unidos e suas melindrosas capitalistas sem calcinha


***


MORDOMO BARTOLO:
O mundo é assim mesmo, mais ou menos como uma festa. As pessoas se enchem de comida, de bebida, arriscam tudo no amor, nos bate-bocas, nos discursos, na emoção. Quando estão absurdamente bêbadas partem, trôpegas, deixando a bagunça delas pra trás o caos que vivem dentro de si mesmas nas mesas.

22 Dezembro, 2008

Um dia de cão na vida dos Glamourosos

Era uma reunião particular entre os figurões glamorosos da arte, política e sociedade brasíliense. Estavam presentes na festa oito pessoas, tidas como as mais "importantes da cidade", pessoas vip. Celebravam a vida de um amigo falecida, Jarbas, o devoto de Ogum, falecido misteriosamente. Muitos dos que estavam na reunião tinham motivos para ver Jarbas morto, mas nem só por isso deixaram de comparecer a festa, pois a necessidade de fazer média é latente entre os mui abonados.

Durante o um minuto de silêncio que se passou, entrou pela porta da sala um homem ensandecido, vestia um uniforme representando a vigilância sanitária do DF.

VIGILANTE: EU VIM BUSCAR O CÃO! EU VIM BUSCAR O CÃO!

Eugênia, a dona da casa assustou-se. Era dona também do poodle branco com suspeitas de ser portador de leishmaniose, a praga maior é que o governo havia ordenado que os cães contaminados fossem sacrificados em nome do bem da população geral, a doença é transmissível para humanos e causa morte dolorosa.

EUGÊNIA: Meu benzinho não vai a lugar nenhum! Cadê elezinho? meu pequeno rei, meu principezinho! Bartolo, procure o pequeno rei!

Bartolo o mordomo saiu pela casa procurando o cachorro. Dois convidados da festa se levantaram para impedir que o fiscal entrasse dentre da casa. O fiscal deu um passo a frente e derrubou um dos homens com um rabo de arrraia, golpe de capoeira, muito bem aplicado. Em seguida o fiscal girou no chão com um rolê e passou uma tesoura no outro homem, que sem saber o que fazer saiu do caminho e levou uma pernada no meio dos bagos. A festa pasmada ficou sem reação, o homem se levantou, foi até a cozinha e encontrou o cachorro lambendo a carne que seria servida aos convidados.

CONVIDADO: Segurem ele! Não deixem que saia com o cachorro!

O fiscal passou por entre os convidados derrubando dois deles e sumiu com o cachorro.

Um homem bem trajado entrou pela porta e trancou com a chave.

FONSECA: Bom senhores, eu me chamo Fonseca e estou aqui para resolver um assunto muito grave, portanto ninguém saiu dessa casa e ninguém entra até que todas as respostas estejam esclarecidas. Estamos aqui reunidos para solucionar o mistério da morte do senhor Jarbas e para esclarecer todas as intrigas e podridões que ocorrem por baixo dos panos nesta casa imunda. Todos aqui tiveram motivos de sobra para odiar Jarbas e querê-lo morto, afinal, aquele homem carismático em vida, teve um caráter duvidoso diante de todos vocês.

Está armado o barraco na festa de Glamour.

19 Dezembro, 2008

As exigências de Madonna

Ao vir para o Brasil a Madonna, aquela cantora americana que faz umas músicas pop, fez uma série de exigências. Isso é que é Glamour:


– Suíte presidencial no último andar
– Espelhos espalhados pelo quarto
– iPod, fax, TV de plasma de 42 polegadas e um ventilador grande para embalar seu sono são obrigatórios
– Um quarto preparado para funcionar como estúdio de dança, com piso de madeira e espelhos na parede
– Uma lavadora de louças, mesas e cadeiras para montar uma espécie de lanchonete, próximo ao seu quarto
– Um outro quarto que funcionará como cozinha industrial
– Frutos do mar, só de peixes que possuam escamas e barbatanas e carne de animais, só se forem ruminantes, pois suas refeições devem obedecer as tradições judaicas
– 12 caixas de morango e chá verde sempre
– Carnes locais nem pensar, ela só comerá a carne trazida de NY e Londres.
– Os assentos das privadas serão levados embora pela equipe
– As paredes devem ser todas brancas, juntamente com as cortinas
– Os equipamentos eletrônicos que possuem led devem ser tampados, para não incomodar durante o sono
– Nem precisa dizer que ela possue seu próprio maquiados, personal trainer, massagista e terapeuta, todos acompanhando-a
– Telefone livre para ligações, fora da central telefônica do hotel
– Para descansar, cama com base de couro branco e colchão extra-duro

15 Dezembro, 2008

O glamour de Wilma Magalhães

"Enquanto houver champanhe, haverá esperança!"
- Wilma Magalhães


Entrevista com Wilma Magalhães


"Eu me dei o direito de me sentir em um spa, sabe? Minha celaé um pouco apertada, mas as guardas parecem enfermeiras, de tão limpinhas e arrumadinhas"



Hoje, a socialite Wilma Magalhães, de 45 anos, é uma submergente. Filha de um garçom e de uma dona-de-casa, Wilma enriqueceu no início dos anos 90 ao montar duas empresas (câmbio e factoring) no ramo de, digamos assim, prestação de serviços. Principal símbolo do colunismo social de Brasília, a então emergente Wilma desfilava roupas de grifes caras, costumava ser vista a bordo de carrões importados e recebia em sua mansão alguns dos principais políticos do país, a quem servia faustosos jantares regados a champanhe e temperados com pó de ouro. A casa de Wilma caiu há dois meses. A socialite foi condenada a uma pena de seis anos de prisão sob a acusação de ter montado um esquema criminoso para legalizar propinas recebidas por um dos principais símbolos da corrupção nacional, o ex-deputado João Alves, um dos célebres anões do Orçamento. Divorciada, mãe de dois filhos, Wilma teve de trocar a vida de badalação por uma cela do tamanho do lavabo de sua casa. Depois de uma temporada em regime fechado, ela foi liberada para trabalhar de dia. Todas as noites, porém, volta para o xilindró. Baixo-astral? Que nada. Wilma continua saltitante. "Sou chiquérrima", diz ela, sem perder a pose.



Veja – Dá para ser chique morando na cadeia?
Wilma – Dá, sim. Fiz um enxoval para levar para a penitenciária. Não pude comprar pessoalmente, mas encomendei tudo. Toda a minha roupa é branca. Comprei calças de moletom e blusas branquinhas, calcinhas novinhas, sutiãs novos, cobertor novo, tudo novinho. É óbvio que quando eu sair de lá não quero levar nada. Vou doar tudo. Sou chiquérrima. Todo mundo adora quando eu chego. As funcionárias abrem uma porta bem pequena que tem na cela para perguntar se eu quero remédio. Sei que fazem isso só para me ver. Eu me dei o direito de me sentir em um spa, sabe? É como se estivesse me tratando de um problema em um hospital. Todos os quartos têm televisão e chuveiro elétrico. Minha cela, que divido com outras duas presas, é um pouco apertada. Tem o mesmo tamanho do lavabo da minha casa. Mas as guardas parecem enfermeiras, de tão limpinhas e arrumadinhas. Até um mês atrás, quando eu não podia sair de lá durante o dia, eu acordava às 7 e meia da manhã. Tomava café, via televisão e ia para o pátio tomar sol. Era pouco tempo, cerca de quinze minutos, mas dava para fazer ginástica ou simplesmente deitar e ficar viajando. Depois, almoçava, dormia muito à tarde, tomava banho e voltava a ver um pouco de televisão.
Veja – Qual é a pior situação que a senhora enfrentou na cadeia?
Wilma – Nada pode na penitenciária. No começo, eu não entendia por que não podia. Um grampinho de cabelo do tamanho de uma formiguinha eles não deixam entrar porque é perigoso. Todos os meus sutiãs, que são da grife Victoria's Secret, têm arame. Não pude levar nenhum. Tive de comprar tudo novo. Também quis levar um repelente elétrico para espantar mosquitos e não pude. Nenhum dos meus xampus italianos pôde entrar. Eles dizem que tudo é perigoso. Só permitiram a entrada de meus cremes da Victoria's Secret porque as embalagens são transparentes. Também é constrangedor tirar a roupa para a inspeção toda vez que chego lá. Se eu soubesse que seria tão revistada, que usaria tanto este corpo, teria feito uma plástica antes.
Veja – A senhora está cumprindo pena num país em que rico praticamente não fica na cadeia. Não se sente injustiçada?
Wilma – Bobagem. O Paulo Maluf ficou mais de um mês na cadeia. O Edemar Cid Ferreira, dono do Banco Santos, também. Rico, quando pode, esconde que está na cadeia. Diz que está passando uma temporada no exterior. Pobre, em dia de visita, transforma a cadeia numa festa. Vai filho, vai primo, vai tio... Você acha que rico vai visitar outro rico na cadeia? Não vai. Fica esperando ele sair.
Veja – A senhora foi condenada pela acusação de lavar 10 milhões de reais para o ex-deputado João Alves, um dos integrantes da Máfia do Orçamento, denunciada por VEJA em 1993. Como conheceu o ex-deputado?
Wilma – Nunca vi o ex-deputado na minha vida. Comprei e vendi dólares de um gerente de banco. Não tinha idéia de que era dinheiro de caixa dois, de esquema de anões do Orçamento. Conheci o ex-deputado pela mídia.
Veja – Como a senhora se tornou a mais badalada socialite de Brasília?
Wilma – Meu pai calçou o primeiro sapato aos 18 anos. Ele era garçom de um hospital público de Brasília e conseguiu que minha mãe fosse fazer o parto lá. Comecei a trabalhar aos 15 anos. Era caixa de uma loja de pneus. Ninguém me indicou para nada. Bati de porta em porta até conseguir o emprego. Aos 18 anos, comprei meu primeiro carro, uma Brasília laranja. Cada centavo que ganhei foi com muito esforço. Não tenho vergonha de não ter tido dinheiro no começo e estar bem financeiramente agora. Sei quanto custa um pastel e quanto custa uma Ferrari.
Veja – Mas não foi como caixa de uma loja de pneus que a senhora ganhou dinheiro, certo? Wilma – Trabalhei no mercado financeiro e fui dona de uma casa de câmbio e aplicações financeiras. Nunca dei uma bombada. Nunca joguei na loteria, como João Alves. Ganhei dinheiro como formiguinha.
Veja – Que importância o dinheiro tem na sua vida?
Wilma – É uma questão de realização pessoal. Quase tudo o que eu faço está relacionado com dinheiro. Posso até estar fazendo um bom programa de televisão, com boa audiência e tudo, mas, se não está entrando dinheiro dos patrocinadores, não estou contente. Dinheiro tem de estar na mão certa. Tem de estar na mão de quem sabe gastar. Dinheiro pequeno é que se gasta errado. É a bobagem que sai toda hora do bolso. É o dinheiro que você troca e desaparece. Dinheiro pequeno é gastar à toa. Dinheiro grande eu gasto mesmo. Gosto de Rolex, de Mercedes-Benz, de BMW... Já comprei dois Rolex no mesmo mês. Um deles custou 6 000 dólares. Mas aí vi uma amiga com outro, com fundo de brilhante, e não resisti. Paguei 10 000 dólares por ele. Quando lançaram o jipe Cherokee, na década de 90, eu estava prestes a viajar para Arraial d'Ajuda, na Bahia. Comprei um por telefone.
Veja – A senhora nunca sentiu culpa por tanta ostentação? Wilma – Não. Tudo o que tenho eu uso. Não rasgo dinheiro. Na volta da viagem à Bahia, quando vi quanto gastei de gasolina com o Cherokee, vendi o carro. Não era um bom investimento.
Veja – Existe algum segredo especial para se tornar um símbolo da classe emergente?
Wilma – É preciso viajar bastante, fazer boas festas e cultivar bons relacionamentos. E não precisa gastar demais, não. Tem muita socialite que mora em casa alugada, tem carro financiado e faz tipo de milionária. Eu, por exemplo, sou uma emergente pobre. Não tenho ilha, Learjet nem apartamento em Nova York. Uma socialite pobre que se preze vai a Buenos Aires, paga 300 dólares pela passagem e compra um produto da Lâncome no free shop. Aí, quando chega ao Brasil, dá o presentinho ao cabeleireiro. O que ele vai dizer às outras clientes? Que fulana de tal trouxe um presente do exterior para ele. É um marketing que rende. E não custa quase nada. O mesmo vale para colunista social. Uma camiseta em Nova York custa 8 dólares. É pouco para quem quer sair bem na foto.
Veja – Como a senhora faz para conciliar seus hábitos de consumo com a rotina da prisão? Wilma – Está difícil. Só posso sair do presídio para ir ao trabalho. Além disso, a gente não pode entrar com quase nada no presídio. Sabão em pó tem de estar em saco plástico transparente. Embalagem não entra nenhuma. Então compro quase tudo lá mesmo. Tem um mercadinho lá dentro que pertence a um policial e é administrado por uma interna. Compro creme de cabelo, amaciante de roupa, sabão... Estou achando o shopping da minha vida.
Veja – A senhora se tornou muito próxima de alguns dos principais políticos do país. Qual deles mais admira?
Wilma – O José Roberto Arruda, governador do Distrito Federal. Ele dorme às 3 horas da madrugada, acorda às 5 da manhã, era casado, tinha uma amante e agora, depois de romper com as duas, está de namorada nova. Ele consegue tudo o que eu não consigo. Além disso, é charmoso e bonito.
Veja – A senhora acha mesmo o governador bonito?
Wilma – Se até o Ronaldinho Gaúcho ficou bonito, por que ele não ficaria? Poder e beleza estão misturados, principalmente em Brasília. E quem tem poder não precisa de dinheiro. É convidado para as melhores festas, sempre tem um amigo com o avião de tanque cheio. Eu mesma ganho tudo. Champanhe, não tenho onde botar. Tenho uma adega com 3 000 garrafas. São vinhos e mais vinhos, festas e mais festas. A gente bebe tudo mesmo.
Veja – A senhora ficou famosa pelo hábito extravagante de temperar seus jantares com pó de ouro. O metal também aparece em seus vestidos, nos sapatos e nas jóias. Por que tem tanta obsessão por ouro?
Wilma – Ouro tem tudo a ver comigo. Brilha, é alegre. Meu brilho é muito grande.
Veja – O closet de sua casa tem o tamanho de um apartamento de três dormitórios. Não é um exagero? Wilma – É que tenho muitos sapatos. Nunca contei, mas alguém já me disse que são 600 pares. Posso também passar um ano sem repetir uma roupa.
Veja – A senhora está escrevendo um livro sobre sua experiência na prisão. Que tipo de história pretende contar? Wilma – Vou contar cada vitória e cada derrota que tive na vida. Darei ênfase maior às mensagens de força e fé, pois espero ajudar muitas famílias que estão passando pelo mesmo que eu. Quero deixar claro que o importante é onde a mente está, e não o corpo.
Veja – Qual é o seu livro de cabeceira? Wilma – Não tem cabeceira lá na cadeia. Estou lendo a Bíblia



Revista Veja - Alexandre Oltramari(2007)






Parte final do vídeo entrevista com Wilma Magalhães( CQC - Festival de Brasília 2008)


http://www.youtube.com/watch?v=3zpjVAUYIm4

Tema atualíssimo: O luxo no Brasil

O tema "Luxo e glamour" é bem propício ao momento político e econômico do País. Saiu na edição deste mes da revista Exame, da editora Abril, uma matéria sobre as grifes glamorosas do mundo se voltando para países emergentes como o Brasil, por conta da crise.

Leia a matéria completa no site da Revista Exame

nte de um cenário no qual a riqueza se esvai, algumas das grifes mais badaladas do mundo, como Gucci, Louis Vuitton e Armani, decidiram centrar esforços nos países emergentes e, com isso, tentar reduzir os efeitos da crise. Uma pesquisa realizada pela consultoria Bain & Company mostra que o mercado de luxo nos países que compõem o Bric (bloco formado por Brasil, Rússia, Índia e China), com crise e tudo, deve crescer, em média, 25% nos próximos cinco anos. E o mercado brasileiro, com faturamento estimado hoje em 1,6 bilhão de dólares ao ano, é o que deve registrar o maior aumento nesse período: cerca de 35%. O frenesi em torno desse crescimento é tal que recentemente o prestigiado jornal britânico The Guardian dedicou uma página inteira ao assunto. "O Brasil tornou-se um dos mercados mais atrativos do mundo para as marcas de luxo", afirma John Guy, especialista em mercado de luxo da corretora MF Global. O entusiasmo exibido pelas grifes de luxo em relação ao mercado brasileiro pode ser medido pela quantidade de marcas que chegaram ao país em 2008. De janeiro para cá, 20 marcas inauguraram operações próprias no país - quase o dobro do registrado em 2007. A lista inclui nomes como a italiana Emilio Pucci, que conta com apenas 30 lojas espalhadas pelo mundo, a francesa Goyard, maior concorrente da Louis Vuitton, e a americana Gant, uma das marcas de luxo mais bem-sucedidas dos Estados Unidos. (...)

(...) "O público brasileiro é bastante sofisticado, e as grifes estão começando a se dar conta disso", afirma Carlos Ferreirinha, da consultoria MCF.